Época
Origens
sem data segura
Criação, queda, dilúvio e Babel: o começo de tudo e a primeira promessa.
O que acontecia no mundo
Antes de qualquer data segura. Os relatos de criação e de dilúvio da Mesopotâmia, como Atrahasis e Gilgamesh, mostram as perguntas que os povos vizinhos faziam; Gênesis responde de outro modo, com um só Deus que cria por sua palavra.
O que isso muda na leitura
Em Gênesis 1, o Sol e a Lua não têm nome: são "luminares", lâmpadas postas no céu. Para quem vivia entre povos que adoravam Shamash e Sin, isso tirava os astros do panteão. Em Gênesis 1:27, todo ser humano, e não só o rei, é imagem de Deus, o que na Mesopotâmia e no Egito se dizia do rei. E em Babel, o nome soa como Babilônia, "porta de deus" em acádio, e o texto desmonta essa fama com um jogo de palavras.
Quem mandava
Ninrode, descrito como o primeiro grande poderoso da terra, com reino em Babel, Ereque e Acade
Gênesis 10:8-10
Reis das cidades sumérias, os nomes só aparecem na Lista Real Suméria, não na Bíblia
Política
Não há como falar de política antes de datas seguras. O que se sabe é que, quando a escrita aparece na Mesopotâmia, o poder já está nas mãos de reis de cidades como Ereque, Ur e Quis. Para esses povos, o rei era o elo entre os deuses e a cidade.
Economia
As primeiras cidades viviam de irrigação, cevada, rebanhos e templos que guardavam e distribuíam a colheita. Os textos mais antigos de escrita são, em boa parte, listas de grãos, gado e rações.
Religião ao redor
A Mesopotâmia tinha muitos deuses ligados às forças da natureza: Sol, Lua, tempestade, águas. Os mitos de Atrahasis e Gilgamesh falam de uma grande enchente enviada pelos deuses porque os humanos faziam barulho demais ou por decisão do conselho divino.
Cotidiano
Vilas de tijolo de barro ao longo dos rios, trabalho no campo, pastoreio e o templo no centro da cidade. A vida seguia o ritmo das cheias e da colheita.
O que se debate
Quando e onde esses relatos aconteceram, e se o dilúvio foi local ou mundial, é discutido há muito tempo. Alguns veem em Gênesis uma resposta direta aos mitos mesopotâmicos; outros, uma tradição comum que cada povo contou à sua maneira. A cronologia do texto é lida de modos diferentes por conservadores e críticos.
Fontes: W. G. Lambert e A. R. Millard, Atra-Hasis (1969); A. R. George, The Babylonian Gilgamesh Epic (2003); J. H. Walton, Ancient Near Eastern Thought and the Old Testament (2006).