Em setembro, uma mensagem chegou ao WhatsApp do pastor Simon, refugiado em Mubi, no estado de Adamawa, nordeste da Nigéria. Do outro lado estavam os homens que, dez meses antes, tinham levado sua mulher e sua filha pequena. Exigiam 50 milhões de nairas, cerca de US$ 37,2 mil, para soltá-las.
Mercy Simon e a filha Talita foram sequestradas em 9 de novembro de 2025 por suspeitos do Boko Haram e continuam em cativeiro. Agora o marido, que se identifica apenas como pastor Simon, pede publicamente ao presidente Bola Tinubu que resgate as duas. Ele contou o caso à Christian Daily International-Morning Star News, e o Guiame repercutiu o apelo.
A viagem para o casamento do irmão
Mercy e a filha pequena viajavam para Maiduguri, capital de Borno, pela estrada Buratai-Biu-Bunu Yadi, para o casamento de um irmão dela. Homens armados pararam o veículo.
Mercy Simon e a filha foram sequestradas pelo Boko Haram. (Foto: Facebook/D English Alhaji). Foto: Guiame
“Ela foi a única pessoa escolhida de um veículo em que eles viajavam porque é cristã”, disse Simon. Desde então, ele não soube de nada até o contato dos captores, em setembro de 2026.
Um funcionário do conselho local, Barka Iliyasu, confirmou o sequestro à mesma publicação. Segundo ele, mãe e filha foram levadas em 9 de novembro de 2025 e seguem presas.
Simon é da aldeia de Chinene, no município de Gwoza. Serviu em igrejas nas áreas de Chibok e Bama, mas os ataques do Boko Haram o forçaram a deixar o ministério, e ele se refugiou em Mubi. Diz que está traumatizado e que cuida sozinho dos outros três filhos.
Um resgate que cai e uma família que não alcança
Quando disse aos sequestradores que não tinha tanto dinheiro, ele conta que a exigência baixou para 15 milhões de nairas (US$ 11,16 mil). Depois de dias de silêncio, veio outro número. Os sequestradores baixaram o resgate de 50 milhões para 12 milhões de nairas, cerca de US$ 8,9 mil.
É pouco para quem exige, mas ainda é muito para essa família. Iliyasu descreveu a quantia como algo que a família pobre ainda não consegue pagar.
Simon acredita que as duas estão vivas. “Pelas fotos, dá para ver que o único vestido que ela usava há cerca de um ano é o que ainda está vestindo”, disse. Uma moradora, Chawai Friday, contou a vizinhos que o marido confirmou que Mercy e a filha estão vivas e que a menina, segundo relatos, não está bem de saúde. Ela pediu orações para que Deus as proteja e abra caminho para uma libertação segura.
Setenta cristãos e um pedido sem resposta
Mercy e Talita não estão sozinhas. Segundo o pastor, os terroristas mantêm outros 70 cristãos; cinco foram libertados em 19 de outubro depois que as famílias pagaram resgate.
Simon e outras famílias procuraram o senador Ali Ndume, da Assembleia Nacional. “Mas não tivemos notícia das autoridades”, afirmou. Foi então que decidiu apelar ao presidente.
Iliyasu foi na mesma linha e lembrou que a segurança do povo é dever do governo, previsto na Constituição. “O silêncio do governo sobre essas questões é ensurdecedor e doloroso”, disse. “Não podemos abandoná-los à própria sorte.”
Sobre o caso de Mercy e Talita, o pastor diz que não teve retorno. O governo federal já se manifestou sobre outros sequestros em Borno. Tinubu garantiu ao governador Babagana Zulum que vai intensificar os esforços para resgatar crianças levadas em Askira-Uba e outras partes do estado. Zulum afirmou que a segurança em Borno melhorou consideravelmente nos últimos seis meses. Em junho, o ministro da Informação, Mohammed Idris, disse que o retorno seguro de cada criança e professor em cativeiro é prioridade nacional.
Uma região que já conhece esse roteiro
O município de origem do pastor tem um lugar próprio nessa história. Em 6 de agosto de 2014, o Boko Haram tomou a cidade de Gwoza. Duas semanas depois, o líder Abubakar Shekau declarou um califado islâmico no território sob controle do grupo. O exército retomou Gwoza em março de 2015. Meses antes, o grupo havia sequestrado 276 meninas em Chibok, onde o pastor mais tarde serviu.
A violência continua. A Christian Daily descreve os estados do norte como regiões onde o controle federal é escasso e onde cristãos são alvo de ataques, violência sexual e mortes em bloqueios de estrada. Os sequestros por resgate cresceram muito nos últimos anos. Uma análise citada pelo New York Sun afirma que o sequestro por resgate virou fonte significativa de renda para o Boko Haram e o ISWAP.
Outro caso é recente. Em 18 de julho de 2026, a mulher e os três filhos de um pastor foram levados na estrada Maiduguri-Damasak, no nordeste da Nigéria. A mulher é esposa do pastor Moses G. Guguma, da COCIN, e tinha acabado de receber alta de um hospital em Maiduguri. Membros da igreja disseram que ela e as crianças foram levadas por causa da fé.
No balanço da Portas Abertas, a Nigéria aparece no 7º lugar da Lista Mundial da Perseguição 2026. Dos 4.849 cristãos mortos por causa da fé no mundo entre outubro de 2024 e setembro de 2025, 3.490 eram nigerianos, 72% do total.
O que a carta aos Hebreus pede
O pedido de oração das famílias encontra uma instrução antiga. Hebreus 13:3 pede que os cristãos se lembrem dos presos como se estivessem presos com eles. Em Borno, as famílias que esperam notícias fazem esse pedido hoje.
Simon diz que vai continuar. “Não vamos ceder em nossas orações e apelos por ajuda para nossos familiares em cativeiro”, afirmou. Seu pedido ao presidente continua o mesmo: que ajude a garantir a libertação de Mercy e de Talita.